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_____________________________R E V I S T A U N I N G Á ______________________________ Perfil das gestantes adolescentes na assistência ao pré-natal na clinica materno infantil em Sarandi - PR
Este artigo tem como objetivo conhecer o perfil das gestantes adolescentes em consulta de enfermagem, ao primeiro atendimento da assistência ao Pré-natal na Clínica Materno Infantil em Sarandi – PR. Realizou-se um estudo descritivo no período de 23/09/2003 a 21/06/20004, avaliando o perfil das gestantes adolescentes através da investigação e análise de fichas perinatais dos prontuários de gestantes. Observamos a prevalência de evasão escolar entre as adolescentes que encontravam-se grávidas, além de iniciam o pré-natal mais cedo em relação as multíparas. Entretanto há uma preocupação em relação a idade gestacional de início do pré-natal pois podem haver fatores de risco associados e estes poderiam ser prevenidos, tornando-se evidente a importância do Programa de Agentes Comunitários de Saúde de promover acessibilidade aos serviços de saúde e melhorar a qualidade da assistência no Planejamento Familiar e no Pré- natal para que os retornos destas mulheres sejam assegurados e efetivamente melhore os resultados perinatais. Palavras-Chave: Adolescentes gestantes. Pré-natal. Planejamento familiar. ¹Professora Especialista, Faculdade Ingá – UNINGÁ; Enfermeira em Unidade Básica de Saúde, Sarandi – PR
²Professora Doutora, Universidade Estadual de Maringá – UEM- Maringá -PR
³Acadêmico do Curso de Enfermagem, Faculdade Ingá – UNINGÁ
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Revista UNINGÁ, n. 3, p. 147-151, jan./mar. 2005 _____________________________R E V I S T A U N I N G Á ______________________________ INTRODUÇÃO
Muitos estudos constatam que a taxa de fecundidade nos últimos
10 anos, diminuiu em todas as faixas etárias, exceto entre adolescentes. A gravidez na adolescência, definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS, apud BRASIL, 2000), como aquela que ocorre entre 10 a 19 anos, tem sido tratada como um importante problema de saúde pública. O fenômeno é freqüentemente referido de maneira bastante alarmista e é comum, nesse campo, ser mencionado como uma “epidemia” (COSTA, 2002).
No Brasil, estudos realizados na região Sudeste (São Paulo e
Campinas) e Nordeste (Bahia) revelaram proporção em torno de 20% dos nascidos vivos entre adolescentes (NASCIMENTO SOBRINHO, 2002)
De acordo o Ministério da Saúde (2000), em um ano, de cada 100
mulheres que têm bebês, 28 tem menos de dezoito anos. Isto causam sérias conseqüências físicas, psicológicas e sociais. Em nosso meio, as taxas de gravidez na adolescência variam de serviço para serviço, mas estima-se que 20% a 25% do total de mulheres gestantes sejam adolescentes, apontando que há uma gestante em cada 5 mulheres (SANTOS JUNIOR, 1999).
A atenção ao grupo de adolescentes passa a ser mais reconhecida
como necessária, devido, principalmente a sua composição numérica, à freqüência cada vez maior da gravidez, dos acidentes, da violência, do uso do tabaco, álcool, drogas, inalantes, além dos problemas de saúde mental (ORGANIZAÇÃO PAN AMERICANA DE SAÚDE, 1989).
A magnitude numérica dos adolescentes traduz-se pela existência
no Brasil de 35,5 milhões de adolescentes, o que corresponde a 23,4% da população brasileira. Deste quantitativo, 46,6% são do sexo feminino e 54,4% do masculino (BRASIL, 2000).
Os números dispensam justificativas para a importância que deve
merecer a saúde desta população. A atividade sexual na adolescência vem iniciando cada vez mais precocemente com conseqüências indesejadas como o aumento da freqüência das doenças sexualmente transmissíveis, nesta faixa etária, e gravidez, muitas vezes também indesejável e que por isso, pode terminar em aborto (CRESPIN, 1998).
No tocante a educação, a interrupção temporária ou definitiva no
processo de educação formal, acarreta prejuízo na qualidade de vida e nas oportunidades futuras e não raro, com a convivência do grupamento
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familiar e social a adolescentes se afasta da escola, frente a gravidez indesejada quer por vergonha ou medo da reação dos seus pares (SOUZA, 1999).
As repercussões nutricionais serão maiores quando a gravidez
ocorrer mais próximo da menarca, sobre o crescimento materno que sofre interferência sobre a demanda extra requisitada para o crescimento fetal e que exige maiores necessidades de calorias, vitaminas e minerais além da exigida para o crescimento fetal e lactação (AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION, 1989).
Os estudo da gestação entre as adolescentes têm mostrado uma
maior chance de nascimentos de filhos com baixo peso, maiores taxas de mortalidade e morbidade neste grupo. Além das variáveis de natureza biológica, fatores sócio-culturais também tem sido apontados com explicações desse fenômeno. Além disso, falta da assistência pré-natal associada à pobreza e baixa escolaridade, tem mostrado papel predominante na cadeia causal de recém-nascidos de baixo peso (THENE FILHA, 1996).
O efeito protetor do pré-natal sobre a saúde da gestante e do recém
nascido vem contribuindo dentre outros para uma menor incidência da mortalidade materna, baixo peso ao nascer e mortalidade perinatal. Dentre as grávidas e as adolescentes que os prejuízos de uma atenção precária à gestação se mostram mais intensos. Discute-se a possibilidade que o pré-natal inadequado neste grupo sejam mais pronunciados porque a gravidez na adolescência é um fenômeno muito mais presente nas jovens de grupos sociais excluídos, freqüentemente desprovidas do apoio familiar, do pai do bebê e da sociedade.Como este grupo etário tem sido cada vez mais expressivo no atendimento ao pré-natal, houve a necessidade de caracterizar esta população para que possamos estabelecer estratégias de ação diferenciadas.
MATERIAL E MÉTODO
Através de um estudo descritivo realizado na Clínica Materno
Infantil em Sarandi - PR foram investigados, no período de 23/09/2003 a 21/06/2004, pelos acadêmicos de Enfermagem da Faculdade Ingá – UNINGÁ – Maringá-PR, 371 prontuários de gestantes onde 103 correspondiam a faixa etária de 14 a 19 anos. Foram analisadas as fichas perinatais no primeiro atendimento de Enfermagem na assistência ao pré-natal.
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Do total de gestantes atendidas (371), 21,8% corresponderam a
faixa etária de 14 a 19 anos. Constaram que 68,1% iniciaram o pré-natal no 1º trimestre e o restante (31,9%) no 2º trimestre (representados com 18,1% na 16ª semana e 11,3% no 24ª semana). Destas, 63,6% não completaram o 1º grau, e 63,5% permanecem com o companheiro.
De acordo com os antecedentes obstétricos 68,1% são
primigestas, 22,7% estavam na 2ª gestação, 9% na 3ª e 2,2% na 4ª gestação; 33,3% realizaram parto cesárea, 28,5% vaginais e 38,1% foram casos de aborto; 100% das multíparas tiveram recém-nascidos (RN) com peso normal (entre 2500 e 4000gramas); 66,6% amamentaram sendo que 83,3% destas, num período acima dos 6 meses; 22, 7% eram fumantes, 9,1% usaram drogas e 9,1% ingeriam bebida alcoólica. Quanto a avaliação nutricional, 61,3% eram baixo peso e 9,1% sobrepeso.
DISCUSSÃO
Os resultados demonstram a evasão escolar entre as adolescentes
que encontravam-se grávidas. Existe uma ansiedade positiva com as primigestas em relação a realização do teste de gravidez, e havendo oferta e facilidade do acesso ao diagnóstico precoce, iniciam o pré-natal mais cedo em relação as multíparas.
Há uma preocupação em relação a idade gestacional de início do
pré-natal pois podem haver fatores de risco associados, e estes, poderiam ser prevenidos. A maioria permanece com o companheiro. Ambos devem receber orientações quanto ao Planejamento Familiar durante o pré-natal para que se evite gravidez subseqüente, muitas vezes, ainda no período puerperal. Os casos de abortos devem ser melhor investigados com relação ao tipo e a causa. Predomina o parto cesárea e parte significativa amamentam mais de 6 meses. Embora existissem gestantes com hábitos de fumar, tomar bebida alcoólica, usar drogas ilícitas e a maioria com estado nutricional abaixo do peso, todos os RN nasceram com peso normal.
O Programa de Agentes Comunitários de Saúde deve somar
esforços para captação precoce das gestantes no sentido de esclarecer a importância do pré-natal. A Unidade Básica de Saúde deve promover
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acessibilidade aos serviços de saúde e melhorar a qualidade da assistência no Planejamento Familiar e no Pré-natal ampliando o atendimento multiprofissional para que os retornos destas mulheres sejam assegurados e efetivamente melhore os resultados perinatais.
REFERÊNCIAS COSTA, T. J. N. M. Gravidez em meninas na faixa de 10 a 14 anos em Juiz de Fora/M.G.Revista Brasileira de Epidemiologia. Supl. Esp. p. 341, março, 2002. NASCIMENTO SOBRINHO, C.L. et al. Características de nascidos vivos, de adolescentes e adultas jovens em Feira de Santana – Bahia. Revista Brasileira de Epidemiologia. Supl. Esp; p. 340, março, 2002. BRASIL, Ministério da Saúde. A saúde de adolescentes e jovens: uma metodologia de auto – aprendizagem para equipes de atenção de saúde – módulo I. Brasília (DF): Assistência a Saúde, 2000. SANTOS JUNIOR, J. D. Fatores etiológicos relacionados à gravidez na adolescência: vulnerabilidades à maternidade. Cadernos juventude, saúde e do jovem. v. 1. p. 223 – 229, 1999. ORGANIZAÇÃO PAN AMERICANA DE SAÚDE. Salud del adolescente: prioridad y estratégias nacionales y regionales. Bolog Sanit Pan – am, p. 107, 1989. CRESPIN, J. Gravidez e abortamento na adolescência, novos dados, velhos desafios. Ver. Paulista de Pediatria, v. 4. p. 197-200, 1998. SOUZA, M. M. C. A maternidade nas mulheres de 15 a 19 anos: um retrato da realidade. O mundo da Saúde. v. 2. p. 93-105, 1999. AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION. Nutricion managemente of adolescent. J Am. Diet Assoc; v. 89, p. 104-109, 1988. THENE FILHA, M. M. et al. Gravidez na adolescência como fator de risco para baixo peso ao nascer no município do Rio de Janeiro, 1996 a 1998. Revista Brasileira de Epidemiologia. Supl. Esp; p. 341, 2002.
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