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101_110

Arq Bras Cardiol
Mill e col
Artigo Original
volume 69, (nº 2), 1997
SRA e remodelamento após IM
Ativação da Enzima Conversora de Angiotensina no Coração
após Infarto do Miocárdio e suas Repercussões no
RemodelamentoVentricular
José Geraldo Mill, Maria da Conceição Milanez, Vera Cristina W. Busatto, Andréa Cruz de Moraes, Vitória, ES
Objetivo - Determinar as alterações de atividade da
Activation of the Cardiac Angiotensin-
enzima conversora de angiotensina (ECA) no coração Converting Enzime after Infarction in Rats
com infarto do miocárdio (IM) e comparar os efeitos do and its Role in Ventricular Remodeling
captopril e losartan em parâmetros morfológicos e funci-onais de ratos com IM. Purpose - To determine angiotensin converting en-
Métodos - O IM foi produzido em ratos Wistar por li-
zyme (ACE) activity in the heart of infarcted rats and to gadura de ramos da artéria coronária esquerda. Os con- investigate the effects of captopril and losartan on the troles (Con) foram submetidos a uma cirurgia fictícia. post- infarction remodeling process. Animais com IM e Con foram tratados com captopril Methods - Myocardial infarction (MI) was produced
(30mg/kg/dia) ou losartan (15mg/kg/dia) e estudados 30 in Wistar rats by ligature of the left coronary artery. Con- dias após, determinando-se a atividade da ECA nos ventrí- trol rats (Con) underwent a sham surgery. MI and Con rats culos direito (VD) e esquerdo (VE), as alterações hemodi- remained untreated or were treated with captopril (30mg/ nâmicas e as concentrações de hidroxiprolina (OH-Pro) e kg/day) or losartan (15mg/kg/day) for 30 days. ACE activ- ity was determined in right (RV) and left ventricular (LV)muscles and in the scar tissue. The effects of captopril Resultados - A atividade da ECA aumentou no VD
therapy was also investigated in the hydroxiproline (OH- (+25%) e VE (+70%) após IM. A maior atividade foi obser- vada na cicatriz fibrótica, onde atingiu cerca de 4,5 vezes a Results - ACE activity increased 25% in the RV and
do músculo do VE que sobreviveu ao IM (420±68 vs 70% in the remaining LV muscle. The highest ACE activity 94±8nmoles/g/min; P<0,01). O IM determinou aumento da was found in the scar tissue, where it was 4.5 times the pressão diastólica final e hipertrofia do VD e VE. Captopril value of the LV muscle (420±68 vs 94±8nmoles/g/min; e losartan foram igualmente eficazes em atenuar a P<0.01). An increase of the end-diastolic pressure and of hipertrofia e o aumento da pré-carga. O captopril também the muscle mass was found in the RV and LV of MI rats. atenuou o aumento de OH-Pro no VD e VE após IM. O IM Captopril and losartan treatments were equally efficient reduziu a concentração de proteína principalmente no to attenuate these parameters in both ventricles. músculo de VE, efeito esse acentuado pelo captopril. Captopril also reduced the total OH-Pro content in the RVand LV muscles. The Prot concentration was significantly Conclusão - A grande atividade da ECA na cicatriz
reduced in the myocardium of MI rats, an effect enhanced deve produzir altas concentrações de angiotensina II (AII) no sangue que drena da cicatriz. Os efeitos dos Conclusion - The AII concentration in the blood
inibidores da ECA seriam decorrentes, principalmente, da draining from the scar to the surrounding muscle is prob- redução de geração local de AII, e não de aumento de ably high. It is likely that this elevated local generation of cininas, uma vez que captopril e losartan exerceram efei- AII contributes to hypertrophy and to collagen deposi- tos similares no remodelamento pós-infarto. tion. The effects of ACE inhibitors on remodeling are likelyto depend on the reduction of the locally generated AII. Palavras-chave:
Key-words: myocardial infarction, ventricular remodeling,
ventricular, inibidores da enzima conver- angiotensin converting enzyme inhibitors, Arq Bras Cardiol, volume 69 (nº 2), 101-110, 1997
A importância do sistema renina-angiotensina-aldos- Depto de Ciências Fisiológicas do Centro Biomédico da UFES - Vitória terona (SRAA) na regulação a longo prazo do volume extra- Correspondência: José Geraldo Mill - Depto de Ciências Fisiológicas - Centro celular, do balanço dos íons Na e K da pressão arterial (PA) Biomédico da UFES - Av. Marechal Campos, 1468 - 29040-090 - Vitória, ES tem sido reconhecida há muito tempo. O grau de ativação Recebido para publicação em 17/4/97Aceito em 11/6/97 da alça endócrina desse sistema reside principalmente no Mill e col
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nível de produção de renina pelos rins e pela produção de Os bloqueadores da ECA têm encontrado uma impor- angiotensinogênio pelo fígado 1. Em condições fisiológicas, tante aplicação clínica no controle do remodelamento a produção de renina pelo aparelho justaglomerular aumenta ventricular e prevenção da IC após infarto do miocárdio em resposta à contração do volume extracelular, redução do (IM) 6,13,15. Ocorre ativação do SRAA endócrino após sódio plasmático, elevação de potássio, ou ainda, secunda- infarto. Essa ativação, entretanto, é apenas transitória, coin- riamente à queda da PA 2. A descarga simpática direcionada cidindo com a fase aguda do IM. No homem, os níveis para os rins, atuando através de receptores beta, também circulantes de AII voltam aos níveis normais cerca de uma ativa a produção e liberação de renina 2. A regulação fisioló- semana após o episódio isquêmico 16. Uma reativação do gica da produção de angiotensinogênio é menos conhecida, SRAA só é observada novamente em fases mais tardias do sabendo-se apenas que seus níveis aumentam durante a IM, quando os pacientes começam a desenvolver IC 17. Es- gravidez ou em resposta ao uso dos anticoncepcionais ses dados sinalizam que os inibidores da ECA devem inter- orais, ou ainda durante a administração de doses elevadas ferir no remodelamento ventricular por inibirem também a produção local de AII no coração.
Ao lado do SRAA endócrino, foi descrita mais recente- Considerando que e ECA ocupa uma posição chave mente uma série de sistemas renina-angiotensina (SRA) de no SRA e no sistema de calicreínas-cininas, pois é ao mes- localização tecidual, como no cérebro, coração, adrenais e mo tempo responsável pela transformação de AI em AII e vasos sangüíneos 4-6. A importância desses SRA locais se- pela inativação da bradicinina e da substância P 18, desen- ria decorrente de todos os componentes da cascata serem volvemos um estudo quantificando a atividade da ECA em produzidos num mesmo órgão. Logo, os efetores finais do diferentes regiões do coração com IM já cicatrizado também sistema, notadamente a angiotensia II (AII) e a bradicina, investigamos o efeito do uso crônico de um inibidor da ECA exerceriam efeitos parácrinos nesses órgãos. Assim, por (captopril) e de um inibidor dos receptores AT da AII exemplo, os efeitos da AII no coração seriam decorrentes (losartan) em parâmetros morfológicos e funcionais do cora- não só do peptídeo produzido sistemicamente, mas também ção de ratos submetidos a ligadura da artéria coronária des- através da AII produzida localmente no coração. Dada a pre- cendente anterior (DA) esquerda para produção de IM.
sença desses SRA locais, a concentração de AII na intimi-dade do tecido cardíaco poderia ser, na verdade, muito mai- Métodos
or do que aquela detectada no plasma 7. O mesmo princípioseria aplicado aos demais locais onde existe um SRA Os diversos protocolos experimentais descritos nesse parácrino. Evidências recentes demonstram que todos os trabalho foram realizados em ratos albinos machos, com três componentes do SRA existem no coração, provavelmente a meses de idade no início dos experimentos.
partir de sua síntese local, incluindo a renina e o angio- A produção do IM foi feita sob anestesia com éter ou tensinogênio 6,8,9. Dessa forma, os efeitos da AII no coração halotano, sendo os animais submetidos a uma toracotomia seriam decorrentes não só do grau de ativação do SRA na altura do 4º espaço intercostal esquerdo para evisce- endócrino, mas também desse sistema localizado no próprio ração do coração e implantação de uma sutura com fio coração. O papel fisiológico do SRA local no funcionamen- mononylon 6-0 em torno dos ramos descendentes anterio- to cardíaco não foi ainda precisamente estabelecido. Sabe- res da artéria coronária esquerda 19. O tórax era imediata- se que a AII possui efeito inotrópico positivo por aumento do mente fechado com sutura previamente preparada, ocorren- influxo de cálcio durante a excitação cardíaca, atuando direta- do, na maioria dos casos, imediata recuperação dos movi- mente em receptores AT dos cardiomiócitos 10. A AII também mentos respiratórios. O índice de mortalidade, situado em facilita a transmissão adrenérgica ligando-se a receptores torno de 20%, ocorreu na maioria dos casos na 1ª hora após pré-juncionais 11. Entretanto, não se determinou ainda com a ligadura coronária. Os ratos controles eram submetidos a precisão em que extensão tais efeitos, principalmente uma cirurgia fictícia em que todos os passos cirúrgicos eram evidenciáveis em preparações in vitro, seriam importantes feitos, exceto que a sutura em torno dos vasos coronários para o funcionamento cardíaco em situações fisiológicas.
Dados indiretos, entretanto, sugerem fortemente a impor- Após recuperação da anestesia, os animais eram man- tância do SRA cardíaco em situações fisiológicas especiais tidos em biotério com ração e água fornecidas ad libitum.
ou em situações fisiopatológicas, pois é alta a densidade de Os tratamentos com captopril (Sigma Chemical Co, USA) receptores da AII do tipo AT no coração na fase final do ou losartan (Merk Sharp Dohme - USA) eram feitos median- desenvolvimento embrionário, havendo uma mudança gra- te injeção diária, intraperitoneal, nas doses de 30mg/kg ou dual para receptores AT após o nascimento 12. Além disso, 15mg/kg, respectivamente. Os animais sem tratamento rece- o uso dos bloqueadores da enzima conversora de biam injeção diária do veículo (NaCl 0,9%). A administração angiotensina (ECA), tanto na hipertensão arterial como na de captopril ou losartan era iniciada no dia da cirurgia e insuficiência cardíaca (IC), produz efeitos marcantes na ar- mantida por 30 dias, sendo interrompida no dia anterior ao quitetura e funcionamento do coração 6,13-15. Mais recente- uso dos animais em um dos protocolos experimentais.
mente, o desenvolvimento de bloqueadores dos receptores A maioria dos animais submetidos à ligadura coro- da AII também demonstra a importância desse peptídeo no nária desenvolveu um amplo IM da parede ântero-lateral do coração, principalmente em estados patológicos 12,15.
VE. A consolidação da cicatriz no rato ocorre no período de Arq Bras Cardiol
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três semanas 20. Após realização de um dos diversos proto- carótida direitas. As cânulas eram conectadas a um colos experimentais descritos, os animais eram sacrificados, transdutor de pressão (Statham PXL23AA), e os sinais de o coração retirado e perfundido com solução fisiológica pressão eram processados em amplificador digital (Funbec para lavagem do sangue das cavidades cardíacas e vasos.
MP100) e registrados em polígrafo com inscrição térmica Os ventrículos eram separados, retirado o excesso de líqui- (Funbec RG300). A PA era medida com a cânula arterial na do com papel de filtro, e pesados. O VE era aberto e a cicatriz aorta e as pressões intraventriculares obtidas avançando- fibrosa dissecada contra iluminação. Dada a transparência se as cânulas arterial e venosa em direção às cavidades da cicatriz, é possível uma boa separação da área com IM ventriculares direita e esquerda, respectivamente. Os sinais transmural do músculo remanescente do VE 21. Os contor- eram registrados na velocidade de 100mm/s e a pressão nos da cicatriz fibrosa e do músculo remanescente do VE diastólica ventricular era medida com sensibilidade de eram desenhados em papel milimetrado para determinação 2mmHg/mm e os valores obtidos para cada animal calcula- de suas áreas. Os resultados foram construídos com base dos a partir de registros obtidos em oito ciclos consecuti- em ratos com infartos cobrindo de 20 a 40% da superfície endocárdica do VE. Os animais que foram submetidos à liga- Os dados são apresentados como média ± erro padrão dura coronária e que, ao serem sacrificados, não apresenta- da média (epm). A comparação de duas médias foi feita pelo vam cicatriz fibrosa eram incluídos no grupo controle.
teste t de Student para amostras independentes. A infe- Os grupos de animais com ou sem IM foram sacrifica- rência sobre diferenças entre mais de duas médias foi feita dos 30 dias após a cirurgia. No protocolo de determinação por análise de variância em uma via (Anova), seguida de da atividade da ECA, o coração era retirado, as câmaras car- comparação intergrupos pelo teste de Tukey. O limite de signifi- díacas separadas, pesadas e homogeneizadas mecanica- cância estatística foi estabelecido para valores de P<0,05.
mente em presença de solução tamponada de borato desódio 0,05M (pH=7,4) em 0,32M de sacarose. Em seguida, o Resultados
homogenato era centrifugado (1000g, 5min) e o ensaio paradeterminação da atividade da ECA foi realizado no A atividade da ECA medida nas diferentes câmaras sobrenadante através de técnicas descritas 22,23. Em resumo, cardíacas de ratos é mostrada na figura 1. A atividade 100µL do sobrenadante eram incubados em presença 500µLde solução tamponada contendo o substrato sintético paraa ECA hipuril-histidil-leucina (Hip-His-Leu, Sigma). A ativi-dade da ECA foi determinada através da velocidade de gera-ção do dipeptídeo His-Leu, cuja concentração foi medida emfluorímetro (Hitachi Fluorimeter, F-2000). Concentraçõespadrão de His-Leu (Sigma) foram usadas na calibração. Aatividade da ECA é expressa em nmoles de His-Leu geradospor minuto de reação, por grama de tecido.
O colágeno é uma proteína com alta concentração de resíduos do aminoácido hidroxiprolina (OH-Pro). Assim, aconcentração de OH-Pro reflete a quantidade de colágenototal no miocárdio. As dosagens de colágeno e proteína fo-ram feitas usando-se todo o VD e VE. Nos corações com IM,usou-se apenas o músculo remanescente do VE. Os frag-mentos eram pesados, picados em pequenos pedaços e di-luídos em água destilada (1:5, g/mL) e homogeneizados me-canicamente (Potter 1500rpm). A concentração de OH-Pronos homogenatos foi feita de acordo com o método deBegman e Loxley 24. Os homogenatos eram hidrolizados emHCI 8 N a 115oC por 12-16h com posterior neutralização comNaOH 6N. Após centrifugação (2.000g, 5min) a OH-Pro eraquantificada no sobrenadante em presença de cloramina T,isopropanol e do reagente de Erlich. As leituras de cor eramfeitas em espectrofotômetro (562nm) e comparadas contrauma curva padrão de OH-Pro (0,5 a 4µg/mL). A concentra-ção total de proteína em cada homogenato foi determinadapelo método de Lowry 25.
Fig. 1 - Atividade da enzima conversora de angiotensina (ECA) nos Para obtenção dos registros hemodinâmicos, os ani- homogeneizados teciduais de átrio direito (AD), átrio esquerdo (AE), ventrículo mais eram anestesiados com uretana (1g/kg) para implanta- direito (VD) e ventrículo esquerdo (VE) de ratos normais. A atividade da ECA é ex-pressa em nanomoles de His-Leu gerada no meio de incubação a cada minuto. Os va- ção de cânulas de polietileno (PE 50), preenchidas com solu- lores são corrigidos pela massa do tecido usada no homogeneizado. Os dados são ção salina heparinizada (50U/mL), na veia jugular e na artéria fornecidos como média ± epm (N=8).
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conversora de angiotensina é significativamente maior nos Essa hipertrofia apresenta curso temporal de desenvolvi- átrios em relação aos ventrículos e maior nas câmaras cardí- mento bastante rápido e, no rato, já se encontra estabilizada acas direitas em relação às esquerdas. Em ratos normais, a um mês após a ligadura coronária 26. Contribuem para o au- maior atividade da ECA foi encontrada no átrio direito, onde mento de peso da câmara cardíaca não só o aumento do vo- atingiu o valor de 322±10nmoles/g/min, enquanto que a lume dos miócitos, mas também o acúmulo de matriz menor atividade foi encontrada no músculo ventricular es- querdo, com valores da ordem de 84±6nmoles/g/min. Uma A figura 3 mostra os efeitos do tratamento com inversão desse padrão foi observada nas câmaras ventri- captopril em parâmetros morfológicos do VD. O IM deter- culares após infarto. A figura 2 mostra a atividade da ECA minou aumento significativo do peso úmido da parede livre nos ventrículos de ratos com IM de 30 dias. No VD, a ativi- do VD (controle = 194±9mg vs infartado = 226±25mg; dade da ECA foi cerca de 25% maior no grupo infartado em P<0,05). O tratamento com captopril reduziu tanto a massa comparação com o controle (73±7 e 92±7nmoles/g/min, res- ventricular dos animais sem infarto, como também inibiu pectivamente, P<0,05). No VE, o aumento da atividade completamente o crescimento hipertrófico no grupo de ani- conversora após o IM é bem mais evidente. No músculo re- mais com infarto. Parte do aumento do peso do VD deve-se manescente ao infarto, que é constituído, em grande parte, à deposição aumentada de colágeno na matriz extracelular.
pelo septo interventricular e pela parede ínfero-posterior do A quantidade de OH-Pro, por exemplo, cresceu mais de VE, a atividade da ECA foi cerca de 70% maior em relação ao 50% (150±10µg nos controles para 230±20µg (P<0,05) nos controle (56±4 e 94±8nmoles/g/min, respectivamente, infartados). O tratamento com captopril bloqueou quase P<0,01). A cicatriz fibrosa por sua vez apresentou uma ativi- totalmente o aumento da deposição de OH-Pro no VD. A dade conversora de angiotensina cerca de 4,5 vezes maior redução de colágeno foi proporcional à redução da hiper- do que no músculo ventricular remanescente ao infarto, trofia, uma vez que a massa de OH-Pro, corrigida pela massa atingindo valores de 420±68nmol/g/min.
total do VD, aumentou significativamente após o IM (con- O IM determina hipertrofia não só do miocárdio rema- trole 0,77±0,05mg/g vs infartado 1,04±0,09mg/g; P<0,05), nescente do VE, mas também das demais câmaras cardíacas.
permanecendo inalterada no grupo infartado e tratado comcaptopril (1,03±0,09mg/g). Não ocorreu nenhuma modifica-ção na concentração de OH-Pro no grupo não infartado etratado com captopril (fig. 3), mostrando que o uso do ini-bidor da ECA tem efeito similar na redução de peso do com-ponente miocitário e da matriz extracelular do músculo car-díaco em animais normais.
Resultados similares foram encontrados em relação ao miocárdio remanescente do VE (fig. 4). Nesse caso, o grau dehipertrofia não pode ser avaliado simplesmente pelo pesodo miocárdio remanescente, uma vez que a cicatriz fibrosa,por ter menor espessura, possui peso menor em relação aomiocárdio original que sofreu processo de necrose. O pesodo VE no grupo infartado e tratado com captopril foi menordo que nos animais infartados e não tratados, indicando ini-bição do crescimento hipertrófico no miocárdio remanes-cente. A concentração de OH-Pro, aumentada substancial-mente após IM, não foi afetada pelo captopril. Em conseqü-ência, a redução do concentrado de OH-Pro foi também pro-porcional à redução de hipertrofia, de modo similar ao queocorreu no VD.
Observamos uma tendência de queda no conteúdo de proteínas no miocárdio ventricular esquerdo sobreviventeao infarto. Assim, enquanto a concentração de proteínastotais no VE dos ratos controle foi de 92±3,8mg/g, no mio-cárdio que sobrevive ao IM foi de 85±6,8mg/g (P>0,05). Otratamento com captopril reduziu ainda mais essa concen-tração, que decaiu para 73±4,0mg/g (P<0,01) no miocárdioremanescente do VE de animais infartados e tratados com Fig. 2 - Aumento de atividade da enzima conversora de angiotensina (ECA) nos captopril. No VD, as alterações da concentração de proteí- ventrículos direito (VD) e esquerdo (VE) de ratos um mês após a cirurgia. As barrasvazias correspondem aos dados obtidos no grupo controle (N=10) e as barras nas produzidas pelo IM e pelo captopril foram semelhantes hachurriadas às medidas obtidas no músculo remanescente do VD e VE dos corações ao VE, só que de menor intensidade. Desta forma, nossos com infarto (N=12). A atividade da ECA na cicatriz (CICAT) está mostrada separada- resultados mostram que o captopril foi capaz de reduzir o mente do restante do VE. Os dados são apresentados como média ± epm. *P<0,05 vscontrole; +P<0,01 vs músculo remanescente do VE.
conteúdo mas não a concentração de colágeno no mio- Arq Bras Cardiol
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Fig. 3 - Peso úmido, conteúdo total de hidroxiprolina e concentração de hidroxiprolina no ventrículo direito (VD) de ratos controles sem tratamento (CS), controles tratados comcaptopril (CC), infartado sem tratamento (IS) e infartado tratado com captopril (IC). No gráfico à direita, o conteúdo de hidroxiprolina foi corrigido para o peso úmido do VD. Os dadossão apresentados como médias ± epm (N=8 a 12 ratos em cada grupo). *P<0,05 vs CS; +P<0,05 vs IS.
cárdio sobrevivente ao infarto. Com relação às proteínas não observamos alterações significativas da pressão sistó- totais, entretanto, o captopril reduziu tanto o conteúdo lica nos animais infartados, mas observamos uma elevação como a concentração protéica nesse mesmo tecido. Em con- significativa da pressão diastólica, parcialmente reduzida seqüência, observou-se aumento da proporção de colá- pelo tratamento com captopril ou losartan (fig. 6).
geno em relação às demais proteínas no miocárdio sobrevi- Como esperado, observou-se queda significativa da vente ao infarto, efeito esse que foi intensificado pelo uso PAS e PAD nos animais com IM (controles 107±3,9 e de captopril (fig. 5). Esse achado foi mais acentuado no 90±4,2mmHg vs infartados 91±5,0 e 76±5,7mmHg, respecti- miocárdio remanescente do VE do que na parede livre do VD.
vamente). Tanto o captopril como o losartan determinaram As alterações dos parâmetros hemodinâmicos produ- redução adicional nesses valores de pressão, sendo que o zidos pelo tratamento crônico com captopril ou losartan em efeito hipotensor do losartan foi ligeiramente superior ao ratos com IM são apresentados nas figuras 6 e 7. No VD observado com o captopril. Assim, nos animais infartados e Fig. 4 - Peso úmido, conteúdo total de hidroxiprolina e concentração de hidroxiprolina no ventrículo esquerdo. Os grupos são os mesmos da figura 3. Nos corações infartados, osdados de peso e de hidroxiprolina correspondem apenas ao músculo remanescente ao infarto, isto é, excluindo-se a cicatriz fibrosa. No gráfico à direita o conteúdo de hidroxiprolinafoi corrigido para o peso úmido do músculo remanescente. Os dados são apresentados como médias ± epm (N=8 a 12 ratos em cada grupo). *P<0,05 vs CS; +P<0,05 vs 15.
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O captopril determinou redução do crescimento hiper- trófico após o infarto, principalmente no VD. Esse achadovoltou a se repetir no último protocolo experimental realiza-do para comparar os efeitos do captopril com os do losartan(fig. 8). Observa-se, entretanto, que o efeito anti-hipertró-fico do losartan foi um pouco mais intenso que o do capto-pril, principalmente ao nível do VE, onde o peso do múscu-lo remanescente ao IM foi de 529±33mg no grupo infartadoe não tratado, de 521±20mg no infartado e tratado comcaptopril, e de apenas 452±13mg (P<0,05) no grupoinfartado e tratado com losartan.
Outro achado interessante é que tanto o captopril como o losartan reduziram o peso da cicatriz fibrótica, onde,novamente, o efeito do losartan foi ligeiramente maior que odo captopril (IM sem tratamento= 110±11,8mg; IM Fig. 5 - Relação entre a concentração de colágeno, avaliado pelo conteúdo de +captopril= 79±7,5mg e IM+losartan= 73±5,6mg; P<0,01).
hidroxiprolina, e a concentração total de proteína no miocárdio dos ventrículos di- Considerando que a área da cicatriz nesses três grupos foi reito (VD) e esquerdo (VE) de ratos controles e infartados, tratados ou não comcaptopril. Os grupos são os mesmos das figuras 3 e 4. Observar que no infarto há au- similar (IM não tratado= 67±8mm2, IM-captopril= 57±5m2 e mento da proporção de colágeno em relação às demais proteínas em ambos os IM-losartan= 60±6mm2; P>0,05), pode-se estimar que a es- ventrículos, principalmente no miocárdio remanescente do VE. O aumento dessa re- pessura da cicatriz foi entre 12 a 15% menor nos grupos tra- lação após o infarto foi intensificado pelo tratamento com captopril. Os dados sãoapresentados como média ± epm (N=8 a 12 ratos em cada grupo). *P<0,05 vs CS; tados com captopril ou losartan em comparação ao grupo Discussão
tratados com captopril as PAS e PAD atingiram valores de A importância do SRAA para a homeostase da PA tem 86±2,8 e 70±3,7mmHg, respectivamente, enquanto que nos sido reconhecida há muito tempo, efeito esse exercido, em tratados com losartan essas pressões foram de 78±3,8 e grande parte, pelos dois efetores finais desse sistema, a AII e a aldosterona 1,4. A descrição mais recente da existência A figura 7 apresenta os valores das pressões sistólica de vários sistemas renina-angiotensina parácrinos trouxe e diastólica medidos na cavidade ventricular esquerda. A nova dimensão para o entendimento das ações fisiológicas exemplo do que foi observado no VD, nota-se grande eleva- da AII e de outros peptídeos relacionados ao sistema, como ção da pressão diastólica inicial e final determinada pelo a bradicinina e A1-7. Nos sistemas parácrinos, a ECA pos- infarto, reduzidas de modo parcial e similar pelos tratamen- sui posição chave, já que é responsável final pela geração da AII, bem como pela inativação da bradicinina e da subs- Fig. 6 - Comparação dos efeitos do captopril e losartan em parâmetros hemodinâmicos de ratos com infarto do miocárdio. Os registros da pressão sistólica (PS), pressão diastólicainicial (Pd ) e pressão diastólica final (Pd ) foram obtidos no ventrículo direito de ratos controles (CS) e infartados sem tratamento (IS) ou tratados com captopril (IC) ou losartan (IL). Os dados são apresentados como média ± epm (N=8 a 11 ratos em cada grupo). *P<0,05 vs CS; +P<0,05 vs IS.
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Fig. 7 - Comparação dos efeitos do captopril e losartan em parâmetros hemodinâmicos de ratos com infarto do miocárdio. Os registros de pressão sistólica e pressões diastólicasinicial (Pd ) e final (Pd ) foram obtidos na cavidade ventricular esquerda de ratos controles (CS) ou infartados sem tratamento (IS) ou tratados com captopril (IC) ou losartan (IL).
Observar o grande aumento da Pd nos animais infartados e não tratados. Tanto o captopril, como o losartan reduziram de modo similar a Pd após o infarto, apesar de que esses valores ainda mantinham-se significativamente elevados em relação aos ratos não infartados. Os dados são apresentados como média ± epm (N=8 a 11 ratos em cada grupo). *P<0,05 vs CS;+P<0,05 vs IS; SP<0,05 vs IC.
tância P 18. Logo, a atividade da ECA em determinado teci- da enzima em tecidos fibrosos, como os folhetos valvares e do, que é basicamente influenciada pelo ritmo de produção o pericárdio, indicando que o tecido fibroso cardíaco, mes- do RNA mensageiro da enzima, terá um papel fundamental no mo no coração normal, seria fonte importante de geração de ritmo de produção local de AII e, conseqüentemente, na con- AII 31. No caso do infarto, o quadro parece mais complexo.
centração e nos efeitos desse peptídeo a nível local 7.
Observamos aumento significativo, mas modesto, da ativi- Vários trabalhos demonstraram que todos os compo- dade da ECA no VD e, um pouco mais importante, no nentes do SRA, isto é, a renina, angiotensinogênio, além da miocárdio ventricular esquerdo sobrevivente ao infarto. O ECA, são encontrados no coração 6,8,17. Os componentes que chama mais atenção, entretanto, é o enorme aumento desse sistema não estão homogeneamente distribuídos de atividade da ECA na cicatriz. Esse aumento, observado nesse órgão. A concentração da ECA, por exemplo, é maior inicialmente por técnicas de imuno-histoquímica 31, é tem- nos átrios do que nos ventrículos, e maior nas câmaras car- po-dependente, com o máximo de atividade sendo observa- díacas direitas do que nas esquerdas 27. Essa padrão, já de- do duas semanas após a ligadura coronária, isto é, numa tectado no coração do homem 28, também foi observado em cicatriz jovem em vias de consolidação 32. O pequeno au- nosso estudo no coração do rato normal e altera-se radical-mente no coração infartado, uma vez que a cicatriz passa aser a região do coração com maior poder gerador de AII 17.
Os achados experimentais em coração de rato parecem tam-bém ocorrer no coração humano, uma vez que Hokimoto ecol 28 verificaram haver um aumento importante de ativida-de da ECA no tecido aneurismático de corações explan-tados com IM cicatrizado 28.
Até o presente, ainda não se sabe qual a razão para esse enorme aumento de atividade da ECA no coraçãoinfartado. Entretanto, estudos em diversos modelos experi-mentais e situações fisiopatológicas indicam que a AII e,possivelmente, a bradicinina, seriam peptídeos envolvidosnos processos de geração de tecido cicatricial 29. Quatro ti-pos diferentes de células são capazes de expressar a ECA: cé-lulas endoteliais, macrófagos, miofibroblastos e células Fig. 8 - Redução da hipertrofia do ventrículo direito (VD) e do esquerdo (VE) em ra- epiteliais 29. Há concordância na literatura de que o endotélio tos controles (CS) e infartados sem tratamento (IS) e tratados com captopril (IC) ou vascular seja o principal responsável pela atividade da ECA losartan (IL). Os dados de VE nos animais infartados correspondem apenas aomiocárdio remanescente ao infarto, excluindo-se a área da cicatriz fibrosa. Os dados no coração normal 29,30. Entretanto, experimentos de são apresentados como médias ± epm (N=8 a 11 ratos em cada grupo). *P<0,05 vs radiomunoensaio demonstram também uma forte marcação CS; +P<0,05 vs IS; SP<0,05 vs IC.
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mento da ECA em fases mais precoces de evolução do IM res físicos, como o aumento da pressão diastólica intraven- deve decorrer do aumento local de macrófagos, que partici- tricular e o maior estiramento imposto ao miocárdio remanes- pam da reabsorção do tecido necrosado, já que essa célula cente pela cicatriz (que é mais rígida que o músculo), e fato- expressa a ECA 29. Ao final do período de reabsorção, au- res químicos, como o aumento local de catecolaminas e, cer- menta a presença local de miofibroblastos, que também ex- tamente, AII. Esse último fator, entretanto, deve ter uma par- pressam a ECA em grande quantidade 33-35, concomi- ticipação quantitativa muito importante, uma vez que tanto tantemente a uma intensa proliferação vascular. Pode-se a inibição da ECA, como o bloqueio dos receptores AT , concluir que o aumento de atividade conversora de angio- como demonstrado em nosso estudo, reduzem a hipertrofia tensina na região da cicatriz seria decorrente da própria dinâ- de modo similar, mesmo sem que se consiga uma normaliza- mica da neoformação de tecido cicatricial. A marcação da ção das variáveis hemodinâmicas 13,14,16.
ECA com anticorpos monoclonais tem também mostrado A remodelação ventricular cursa com importantes alte- que a distribuição dessa enzima na cicatriz também não é rações da matriz extracelular cardíaca, sobressaindo-se o uniforme, havendo concentração maior da enzima na região aumento de colágeno. Em nosso trabalho, o colágeno foi de transição do IM 34. Nessa região, a densidade de avaliado a partir da dosagem química da OH-Pro nos homo- miofibroblastos é alta e a neoformação vascular intensa 31.
genatos dos ventrículos, refletindo assim mudanças no Assim, a região de transição do IM seria uma região rica em colágeno total. Não avaliamos nem os diferentes tipos de AII e pobre em bradicinina. O aumento de atividade da ECA colágeno e nem a localização, o que só poderia ser feito com na cicatriz parece ser consistente ao longo do tempo por- estudos de microscopia. A quantidade de colágeno deposi- que, mesmo após total consolidação da cicatriz, como mos- tada na matriz em determinado momento é produto do balan- tram resultados obtidos em nosso laboratório, em ratos com ço entre a síntese e a degradação dessa proteína. Não há da- IM de 4 meses de evolução 35, confirmando dados obtidos dos indicando se a hidrólise de colágeno está alterada após no coração humano 28, a atividade conversora ainda man- IM. A síntese, entretanto, está aumentada na região da cica- tém-se cerca de quatro vezes maior na cicatriz em relação ao triz, como resultado da liberação de fatores químicos locais.
miocárdio remanescente do VE. Nesse miocárdio, há uma Os estímulos que promovem aumento de colágeno em regi- elevação bem menos acentuada da atividade da ECA. A ra- ões distantes da cicatriz, como no VD, ainda não são bem zão para essa elevação, e quais as possíveis vantagens ou conhecidos. Cleutjens e col 34 defendem a hipótese de que desvantagens para o desempenho do coração infartado, na região vizinha à cicatriz, o estímulo para a proliferação de ainda são fatos que aguardam melhor esclarecimento.
colágeno dependeria, principalmente, de agentes químicos As repercussões da elevação da atividade da ECA no locais, mais especificamente da produção de AII 34. Os acha- coração, particularmente na cicatriz, para o remodelamento dos de aumento de atividade da ECA, principalmente nos ventricular pós-IM ainda são pouco conhecidas. Usados a limites da cicatriz para o miocárdio transicional, corroboram longo prazo, tanto em animais de experimentação, como em essa hipótese. Propõem ainda esses autores que nas regiões pacientes infartados, os bloqueadores da ECA reduzem as remotas à cicatriz, o aumento do colágeno seria mais decor- arritmias, previnem o desenvolvimento de IC e diminuem a rente de fatores mecânicos 34. Nossos achados, aparente- incidência de reinfarto 13,14,16. Não se sabe com certeza, até mente, não confirmam essa hipótese, uma vez que o VD é esse momento, em quanto tais efeitos seriam decorrentes submetido a um estresse mecânico menor do que o VE no da inibição do SRA circulante e quanto da inibição localiza- IM. Não obstante, a elevação percentual do colágeno foi da da ECA no coração 7. Entretanto, uma série de dados in- similar. O uso de captopril, como de losartan, reduziu a pré e diretos sugere que o SRA cardíaco teria participação na re- pós-carga nos animais infartados, é muito difícil separar, modelação pós-IM e que, portanto, sua inibição poderia neste modelo experimental, a participação relativa da norma- contribuir para preservar a função cardíaca após cicatriza- lização dos fatores hemodinâmicos ou o controle da ação local de AII na remodelação pós-IM.
A AII se liga aos miócitos através dos receptores AT , Dado interessante e com pouca atenção dada, refere- inibidos pelo losartan 12. Tais receptores, quando estimula- se à variação de proteínas no coração infartado. Confirman- dos, ativam a fosfolipase C resultando na produção de do dados anteriores de nosso laboratório 38, a concentração diacilglicerol e IP (trifosfato de inositol). O 1º fator estimula- protéica total diminui no coração infartado. Como as prote- ria o crescimento celular, via ativação da fosfoquinase C, ínas contráteis representam cerca de 80% do conteúdo enquanto o 2º aumentaria os níveis de Ca livre no citosol 36, protéico do miocárdio, pode-se especular que há compro- o que também parece contribuir para o desenvolvimento de metimento das proteínas contráteis no coração remodelado hipertrofia. Dessa forma, a AII teria uma ação hipertrófica após o IM, o que poderia explicar o menor desempenho direta no coração, independente de alterações hemodi- mecânico observado no coração infartado, mesmo se corri- nâmicas. Esta afirmativa é reforçada pelo achado de que o gindo os valores de força ou de pressão desenvolvida para efeito hipertrófico desse peptídeo ocorre também em a massa de tecido muscular sobrevivente ao infarto 14,19,21. O miócitos em cultura 36,37, razão pela qual a AII tem sido vista, uso de captopril acentuou a queda protéica, fato este que cada vez mais, como um fator de crescimento para o coração poderia ser decorrente da redução da produção local de AII.
e músculo liso vascular 6. Entretanto, a hipertrofia pós-IM é, Assim, a redução da deposição de colágeno no interstício seguramente, multifatorial. Para ela contribuem tanto fato- miocárdico de ratos infartados e tratados com captopril po- Arq Bras Cardiol
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deria representar apenas uma das facetas de um fenômeno estudos. As discrepâncias podem se dever, ainda que em mais geral, ou seja, uma depressão generalizada da síntese parte, pelas diferenças de metodologias empregadas na protéica no coração. As repercussões deste fato para o de- quantificação de colágeno ou a diferentes tempos de uso sempenho mecânico do coração aguardam esclarecimento.
dos inibidores da ECA após o IM. Não está claro ainda na Estudos anteriores, entretanto, não demonstram compro- literatura se há ou não uma mudança na cinética de degrada- metimento adicional da bomba cardíaca, além daquele já ção e re-síntese de moléculas de colágeno no coração após decorrente do IM, em ratos tratados com captopril por um o IM e quais os possíveis efeitos do bloqueadores da mês 14. Entretanto, o uso precoce de altas doses de captopril enzima de conversão neste processo.
em ratos infartados aumentou a mortalidade 39. Esse achado, Tendo em vista que os efeitos hemodinâmicos produ- interpretado inicialmente como secundário a uma deficiên- zidos pelo captopril ou losartan em ratos infartados foram cia na formação da cicatriz (predispondo a aneurismas), muito semelhantes, bem como a redução de hipertrofia, nos- também poderia depender de queda da contratilidade.
sos resultados sugerem que a inibição da produção de AII, A hipótese de que os inibidores da ECA reduziram a mais do que o aumento da vida média da bradicinina, seria o deposição de colágeno através de um efeito geral na sínte- fator mais importante para os efeitos benéficos dos se protéica no coração, também é reforçada por outro acha- inibidores da ECA no remodelamento pós-IM. Mais recen- do deste estudo. Observa-se que no grupo infartado e trata- temente, entretanto, o uso de icatibante (HOE-140), um do com captopril ocorreu redução do conteúdo colágeno no inibidor de receptores de bradicinina, também foi capaz de VD e VE. Entretanto, a concentração do colágeno, corrigida deprimir a fibrose reacional pós-infarto em ratos 44. Portan- pela massa miocárdica ou pela proteína total, não sofreu al- to, alguns dos efeitos observados no remodelamento teração significativa. Parece, portanto, que a redução do ventricular com o uso de inibidores da ECA podem ser se- colágeno no miocárdio remanescente, ocorre em paralelo à cundários a um aumento da concentração local de inibição do crescimento hipertrófico do ventrículo, o qual é bradicinina, através do estímulo à liberação de NO ou de altamente dependente do estímulo à síntese protéica. A AII prostaciclinas. Independente da natureza do mediador final atuando em cultura de fibroblastos estimula, além da prolife- dos efeitos benéficos dos inibidores da ECA, pode-se con- ração celular, a incorporação de aminoácidos, a síntese de cluir que a inibição do sistema renina-angiotensina cardía- colágeno e a síntese protéica total 40. Estes achados dife- co após o IM é capaz de reduzir a hipertrofia, a dilatação rem, pelo menos em parte, dos descritos por outros autores ventricular e a fibrose reacional. Essas alterações estrutu- que, em geral, quantificaram o colágeno através de métodos rais são acompanhadas de redução da pré-carga. Do ponto morfométricos 41-43. Nesse caso, tem-se descrito que a fra- de vista mecânico, a função ventricular tende a melhorar ção volumétrica ocupada pelo colágeno no miocárdio rema- nessas condições, isto é, o mesmo trabalho externo pode ser nescente do VE é significantemente reduzida pelo uso de realizado submetendo-se as fibras musculares a menor grau inibidores da ECA, sugerindo que tais drogas seriam mais de estiramento, onde o gasto energético é menor. A longo efetivas na depressão de síntese de colágeno em relação aos prazo, isso contribuiria para preservar a função ventricular, outros constituintes protéicos do tecido, o que, entretanto, suprindo, ainda que em parte, a perda do componente mio- não condiz com os resultados que obtivemos em nossos citário após a agressão isquêmica ao coração.
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Source: http://repositorio.ufes.br/bitstream/10/591/1/3727.pdf

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